Corpse Party (Visual Novel)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Bom

Informações

Ano 2010
Estúdio Team Gris Gris
País Japão
Duração Aprox. 10h
Gênero Drama, Sobrenatural, Terror

“Corpse Party” é uma Visual Novel de terror com alguns elementos leves de gameplay. O motivo disso é bem interessante: toda a franquia começou como um mero projeto de RPG Maker em 1996, idealizado por um estudante universitário de 22 anos chamado Makoto Kedouin. Nove anos depois, Kedouin lançou uma nova versão (quase que totalmente modificada) de Corpse Party para dispositivos celulares intitulada de “Corpse Party New Chapter”. Não satisfeito, em março de 2008 adaptou esta versão para a plataforma PC, agora com o título de “Corpse Party BloodCovered”, já tendo formado o Team Gris Gris. E por último (ufa!), a VN foi mais uma vez relançada para PSP, porém agora com um tratamento bem mais profissional, com design de personagens muito mais bonito, melhores ilustrações no geral, CG’s de eventos, dublagem, etc. Este último “update” foi batizado como “Corpse Party BloodCovered... Repeated Fear”.

Estou dando todo este contexto por que, em 2011, a versão para PSP recebeu uma tradução oficial por parte da “XSEED Games” e podia ser comprada pela PSN (pelo título de Corpse Party apenas). Feliz ou infelizmente, essa é a única tradução para o inglês disponível e, portanto, minha única referência. Duvido muito que alguém vá ser diligente o suficiente para procurar pela versão BloodCovered original ou até mesmo a de 1996, mas enfim...

Tendo em mente agora qual exatamente é a versão resenhada, vamos à sinopse: Um grupo de adolescentes e uma professora resolvem fazer uma festinha surpresa para a colega que está se transferindo de colégio, Mayu Suzumoto. No meio de todo o clima de festa e tristeza com a partida de Mayu, uma das meninas do grupo, Ayumi Shinozaki, propõe uma pequena brincadeira: por ser muito fã de ocultismo em geral, Ayumi conhece um ritual que diz servir para que os laços entre amigos nunca se rompam, chamado de “Sachiko Para Sempre” (Sachiko Ever After). Apesar de um pouco relutantes, todos acabam topando se isso for ajudar a animar Mayu... Mas algo estranho acontece.

Depois de realizado o ritual, os estudantes acordam em locais separados do que parece ser uma antiga escola ginasial abandonada. Depois de algumas inspeções, descobrem que o nome desta escola é “Heavenly Host”. Além disso, todas as possíveis saídas se encontram macabramente trancadas e seres estranhos que parecem espíritos (tanto passivos quanto hostis) rondam os corredores aos berros de dor. Nem preciso dizer que a situação vai se tornando cada vez mais horrenda e os jovens presos neste ambiente começam a ter sua sanidade levada ao limite com todos os perigos e mistérios que rondam Heavenly Host, além da total escassez de comida e água.

Corpse Party, evidentemente, é uma história de terror que segue muitos dos moldes clássicos do gênero, especialmente considerando o estilo de terror japonês. Jovens estudantes normais jogados em um ambiente do qual não podem escapar, vários seres malignos que podem matá-los a qualquer instante, uma menininha misteriosa que com certeza é a chave para todo este fenômeno, personagens sendo levados à beira da loucura, traições, desconfiança e muito, mas MUITO gore.

O grande trunfo da VN nesse quesito, no entanto, é que as partes mais violentas são raramente explícitamente gráficas. Um texto muito bem escrito e detalhado, aliado a músicas e efeitos sonoros muito competentes faz com que você imagine por si mesmo o que exatamente aconteceu/está acontecendo com os personagens nesses momentos medonhos. Isso é algo que, com certeza, torna a obra muito mais macabra e intimista, ao mesmo tempo que não a deixa ofensiva (leia-se, sem nenhum tipo de fetiche violento gratuito).

Este elemento em particular é o que faz com que a história possa ser levada a sério: o horror acontecendo com os azarados personagens é por vezes tão tenso e sufocante que o leitor rapidamente assimila a sensação de estar sempre em perigo. Ninguém está a salvo, e um mínimo passo em falso pode te levar a um bad end de arrepiar os pelos do corpo.

Esta VN, como já comentado acima, flerta com a linha tênue entre visual novel e jogo, mas o elemento de jogabilidade é extremamente limitado e irrelevante. Você controla um pequeno sprite que representa o personagem em questão andando em gráficos da era primordial do RPG Maker, coletando alguns ítens que abrem certas passagens ou ativam certos eventos e assim por diante. É tudo tão simples e arcaico que considerar Corpse Party como sendo um “jogo de aventura” de fato é forçar muito a barra. Para ser justo, no entanto, o simples fato de o seu personagem estar andando de um canto a outro ajuda notóriamente no suspense. Você nunca sabe ao certo o que vai encontrar subindo as escadas ou abrindo uma porta, e essa jogabilidade te obriga a passar por momentos de tensão em corredores vazios com uma trilha sonora muito atmosférica. Fora isso, você pode esperar aqui tudo o que esperaria de uma VN normal: foco na história e escolhas interativas que te levam ao final do capítulo ou a uma das várias e trágicas mortes.

Falando em capítulo, Corpse Party é uma Visual Novel linear (apesar de bad ends, não há rotas alternativas) dividida em cinco capítulos, com as perspectivas dos personagens principais mudando constantemente para formar uma história que, apesar de relativamente simples, se torna cada vez mais interessante e inusitada do que parece ser a princípio. O elenco aqui é relativamente grande, com novos personagens aparecendo ao longo dos capítulos, e as relações entre eles nesta grande rede de intrigas, mistérios, assassinatos e loucura é surpreendentemente satisfatória. Nenhum deles chega a ser particularmente original, mas mesmo assim suas interações tornam a maioria dos principais (e alguns secundários) bem carismáticos, chegando ao ponto de você torcer por eles e tomar muito cuidado nas suas escolhas para que ninguém que você gosta morra (se possível, é claro). O amor platônico de Yoshiki por Ayumi, por exemplo, é um toque legal em meio a todo esse clima tenso, para não falar das personalidades extremamente perturbadas, porém infinitamente interessantes dos personagens Morishige e Kizami. As revelações para os mistérios também são bem pensadas e algumas delas genuinamente tocantes.

A interface de Corpse Party é bem minimalista, com menus simples que oferecem quase nenhuma opção de costumização da experiência, podendo no máximo escolher a velocidade do texto e a mixagem de som da dublagem, efeitos sonoros e músicas de fundo. As opções de sempre estão lá (galeria de CGs, player de músicas), sendo que a única coisa diferente é a possibilidade de se desbloquear e ler alguns pequenos capítulos extras. Alguns destes são um complemento legal para o pano de fundo da história, mas a maioria é entendiantemente desimportante e apenas envolve os personagens fazendo bobagens em seu dia a dia antes de se meterem com Heavenly Host.

O visual, desconsiderando os gráficos da era 32 bits, é bem agradável. O design de personagens olhudos e fofos faz um bom contraste com os temais mais adultos da história e as CGs de eventos são bem acabadas. O único problema é que os sprites dos personagens são extremamente limitados, tendo por volta de três ou quatro expressões diferentes, sendo que as posições dos corpos raramente mudam (eu fico impressionado com como o Morishige consegue manter seu braço direito levantado constantemente).

No final das contas, Corpse Party se mostra como sendo uma interessante e competente história de terror, com personagens carismáticos e um enredo que, apesar de nada inovador, é capaz de prender a atenção e cria toda uma atmosfera claustrofóbica e aterrorizante de verdade. Não foram poucas as vezes em que, devido ao ótimo uso de narrativa + música + efeitos sonoros, eu me vi ficando mais aflito que o normal e pensando em como seria terrível passar por uma situação desse tipo. Não chega a ser uma VN extremamente memorável, mas se você não tiver nada contra o gênero de terror, certamente vale uma conferida. Só terá de passar por alguns puzzles desnecessários para a experiência e aguentar uma dose generosa de fanservice (nenhuma cena de sexo explícito, apenas personagens muito peitudas para a idade e outros detalhes que fãs de anime no geral já devem estar acostumados).

OBS: Corpse Party está disponível em Inglês (XSEED Games) e Espanhol (Angel Player)

Lucas Funchal
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