Detective Conan (TV)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Excelente

Informações

País Japão

Quem nunca quis bancar o detetive, mesmo que fosse apenas brincando? Ou já assistiu os seriados norte-americanos que possuem uma investigação e revelam os detalhes do caso? E por acaso conhece as histórias ou o personagem Sherlock Holmes? Se as respostas forem positivas ou negativas, tanto faz, porque o anime citado tem este estilo e, pode-se dizer, que é único. Claro que tem animações que trabalham com o gênero policial ou de investigação mas, geralmente, são séries de curta duração. Em 1994, Gosho Aoyama cria “Detective Conan”, que passa a ser publicado na Shonen Sunday: a história continua até os dias atuais e já possui mais de 700 capítulos, o que daria mais de 60 edições em formato tankobon, e é um dos carros-chefe da editora. Dois anos depois, em 1996, veio a versão animada: exibido na Nippon TV, é um dos animes com maior audiência do país e uma das séries mais longas em exibição no Japão, ultrapassando a marca de 600 episódios - alternando entre episódios curtos e duplos, em casos mais elaborados - com 15 filmes e chegando à cota de três especiais live-actions, além dos Ovas... Ufa! Quantos números! E olha que nem foi falado da história e dos personagens. Então, vamos direto ao ponto: Somos apresentados a Kudo Shinichi, um jovem detetive que resolve os casos na base da dedução, inteligência e raciocínio lógico: para ele, existe apenas uma verdade por trás dos casos. Devido a tais características, é considerado o Sherlock Holmes da década de 90: combina bem, já que é o detetive que o personagem tanto admira. Em um parque de diversões, após resolver um caso de assassinato, ele vai atrás de dois homens vestidos de preto. Presencia uma transação ilegal, mas acaba sendo nocauteado por um deles. Para não chamarem a atenção de ninguém, dão para Shinichi uma droga experimental, que serviria pra matar a vítima. Aí, bem... a droga não o matou mas, mesmo assim, ocasionou um efeito colateral: seu corpo regrediu ao de uma criança, mas mantendo a mentalidade juvenil. E, para não descobrirem que ainda está vivo, adota uma nova identidade: Edogawa Conan – o nome faz uma dupla homenagem a dois escritores de histórias de mistério: Sir Artur Conan Doyle, autor que criou Sherlock Holmes; e Rampo Edogawa, um escritor japonês de histórias de mistério – passando a morar na casa de Mouri Kogorou, um detetive particular, e sua filha, Mouri Ran (amiga de Shinichi e, pode-se dizer... namorada do protagonista), tendo de retornar à escola primária, auxiliando indiretamente nos casos policiais e procurando pistas dos homens que o tornaram uma criança. Como podemos observar, a história possui temática policial, cujos casos são de assassinatos e, por trás dos crimes, sempre segundas intenções ou interesses dos culpados. Vinganças, riquezas, vítimas de crimes não-resolvidos são um pouco do leque de opções: pode parecer repetitivo e simples. Contudo, a forma como cada caso é mostrado torna-se diferente. Além disso, os episódios não apresentam continuações, ou seja, no geral, cada episódio não deixa brechas para o seguinte, exceto alguns, sendo um dos pontos fortes da série.

Os personagens da trama possuem carisma e personalidade: tanto os principais quanto os secundários, até os verdadeiramente vilões, têm um charme que não os torna irritantes ou sem graça. A adaptação do protagonista de fingir ser criança ocasiona momentos engraçados e até embaraçosos, já que precisa esconder quem realmente é. Um dos personagens mais engraçados é o próprio Kogorou: é malandro, orgulhoso e acha que os casos são resolvidos por causa de sua competência, o que não é verdade. Mesmo assim, é ele que leva o crédito de vários casos. Querem saber como ele resolve? No final da resenha será dada a resposta. Dos casos mais simples aos mais complexos, tudo é bem amarrado e sem pontas soltas, dando ao espectador a sensação de uma investigação policial de verdade. Interessante é que a polícia japonesa utiliza a série pra ensinar os profissionais a analisar os fatos e adquirir evidências. O fato é o mesmo que aconteceu com as histórias de Sherlock Holmes na polícia inglesa: a comparação entre o detetive inglês e o personagem principal da trama é inevitável. Normalmente, os casos apresentam um ou mais assassinatos, tirando alguns que não apresentam mortos. É parte do cotidiano da série mas, se olharmos bem nos noticiários policiais, as situações não fogem desta realidade. Este é um ponto importante, pois assim o enredo não decai em histórias irreais, e as investigações apresentam características que podem acontecer no mundo real. A pergunta que não quer calar: como é que uma série tão famosa no Japão não é tão conhecida fora do país? Apesar de ser conhecida em alguns países, ainda é desconhecida por muitas pessoas. Bem, um dos fatores é o design dos personagens: a primeira impressão é que se trata de uma série infantil, devido ao traço. Como é uma série em exibição, a qualidade gráfica do anime melhora ao longo dos anos: pode-se comparar as primeiras temporadas com as atuais e ver as diferenças, como a forma pela qual os personagens e lugares receberam melhor tratamento visual, mantendo o traço do autor. Outro fator, e este deve ser o motivo real, é que a série não se encaixa no que estamos acostumados a assistir: quando vemos um “Naruto” ou “One Piece”, a maioria considera que o shounen é de séries com muita luta, ação e comédia, o que não deixa de ser verdade. Então, quando aparecem séries shounens que saiam destes estereótipos, como “Cowboy Bebop”, “Full Metal Alchemist” ou “Death Note”, isto nos revela que o shounen pode ser direcionado para outros estilos e inovar, sendo válido também em relação a outros gêneros. No caso de “Detective Conan”, a situação é a mesma, tanto que apenas recentemente é que tem sido traduzido. Fora do Brasil, alguns fansubs têm feito a mesma coisa – claro que mais adiantados que por aqui – mostrando o potencial da franquia. Se tivessem traduzido há mais tempo, estaríamos acompanhando os episódios atuais da série... Este preconceito de não acompanhar a grande variedade de animes é lastimável, fazendo com que tais séries não tenham a sua importância e vez ao público. Não somente esta série, como também outros casos. Como espectadores, precisamos olhar além dos estilos consagrados e encontrar opções que nos deem vontade de conhecer. A crítica tem uma razão: na época em que a série foi lançada, somente poucos mangás se tornavam animes. Hoje, qualquer mangá que tenha uma vendagem boa vira anime, mostrando a queda de qualidade em relação ao enredo a ser desenvolvido. Existem ótimos animes e mangás que nem foram traduzidos ou foram deixados de lado pelas novidades...

Falar mais de “Detective Conan” é simplesmente estragar as surpresas que a série reserva. Uma vez que foram dadas as devidas informações a respeito, vamos à resposta da questão: como é que Mouri Kogorou ganhou fama, se não é ele que resolve os casos? Simples: é Conan quem resolve, com o uso de um relógio com dardo sonífero, adormecendo o cara e uma gravata-sintetizador de voz pra imitar a voz do Kogorou - ficando escondido durante o esclarecimento do caso - e assim, o grande detetive Mouri Kogorou resolve mais um caso complicado.

Escritora Otaku
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