Fate/Stay Night (Visual Novel)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Muito Bom

Informações

Estúdio Type-Moon
País Japão
Episódios 3 rotas
Duração aprox. 50h
Gênero Ação, Drama, Fantasia, Romance, Sobrenatural

Trailer

Para alguém mais antenado ao mundo dos animes, Fate/Stay Night deve ser um nome no mínimo familiar. Apesar de seu enorme sucesso interno no Japão em seu formato original de Visual Novel, a série só se tornou mais popular no resto do mundo depois de ganhar uma versão animada em 2006 cobrindo uma de suas 3 únicas rotas, seguida de um longa-metragem (também em anime) de sua segunda rota, Unlimited Blade Works, em 2010.

No universo de FSN, os chamados magos existem e operam por baixo dos panos, sempre visando manter a sua existência como algo secreto. Estes magos possuem um ritual que ocorre de tempos em tempos e é chamado de “A Guerra do Santo Graal”. Nesta guerra, sete magos podem participar e, para isso, devem invocar um “espírito heroico” cada um. Espíritos heroicos são, como seu próprio nome já diz, fantasmas de heróis ou anti-heróis antepassados que são conhecidos geralmente por suas histórias e lendas na cultura popular. Estes heróis, no entanto, não precisam ter existido de verdade, podendo ser invocados também aqueles que são fictícios (existe uma explicação detalhada de o porquê disso na própria novel, então não vou me estender muito nesse quesito).

Cada mestre só pode invocar um espírito heroico pertencente a uma das sete classes pré-definidas: Saber, Archer, Berserker, Rider, Caster, Lancer e Assassin. Depois de todos os espíritos invocados, inicia-se um jogo de sobrevivência onde o vencedor poderá obter o lendário Santo-Graal, um artefato místico e de origem desconhecida, mas possuidor de poder ilimitado e capaz de conceder qualquer desejo a seu dono.

Porém, não são apenas os mestres que desejam o Graal. Os espíritos supostamente fizeram um contrato com a entidade do Santo-Graal para que pudessem se tornar espíritos heroicos e, assim, também usufruir de seu poder ao lado de seu mestre, ou seja, mestres e servos estão lutando juntos, mas cada um tem seus motivos pessoais para estar nesta guerra.

Nosso protagonista é o jovem Shirou Emiya, um adolescente que teve seus pais mortos em um desastre quando ainda era criança, e foi adotado assim por um mago. Devido a isso, Shirou aprendeu com seu pai adotivo como utilizar magia de baixo nível, já que não possuía talento nato para tal arte, segundo ele. Apesar dessa excentricidade, Shirou vive uma vida bem normal, indo à escola todos os dias e realizando trabalhos de meio-período para se sustentar, já que seu pai adotivo também se foi já faz um tempo.

A coisa muda de figura quando, por azar, Shirou acaba indo embora mais tarde da escola e presencia uma luta entre dois seres que logo percebe serem de outro mundo. Um destes decide que deve mata-lo para impedir a existência de testemunhas e, depois de toda uma perseguição e vários outros fatores, Shirou acaba por acidentalmente invocar Saber, que o defende de seu ofensor, Lancer. Shirou, que não tinha nenhum conhecimento prévio da Guerra do Santo-Graal, decide em primeira instância que não quer ser parte dela, especialmente por acidente, mas várias circunstâncias fazem com que mude de ideia.

E assim está iniciada a trama de Fate/Stay Night, que narra uma guerra onde 7 espíritos e 7 mestres travam uma longa batalha pelo poder do Santo-Graal, cada qual com seus motivos e ambições.

Sendo uma obra da Type-Moon, pode-se esperar uma história extremamente complicada, cheia de personagens complexos e momentos de tom completamente sombrio e tenso. O universo aqui criado é extensivamente detalhado durante a narrativa, e várias informações e explicações de caráter quase que científico são dados a todo o momento do início ao fim da história. Isso pode ser um fator que afaste potenciais leitores, já que por vezes a natureza exageradamente impressionista da narrativa pode ser um pouco pesada (para não dizer chata) para muitos. Além do universo da história, o texto também gasta infinitos parágrafos descrevendo de maneira extremamente detalhada (e as vezes até redundante) as aparências de personagens (coisa que podemos ver pelas ilustrações na tela), seus sentimentos/psicologia e, principalmente, as lutas. A quantidade de termos e explicações para cada golpe, movimento, gesto e personalidade presente na VN chega a ser um pouco assustadora e ás vezes faz mal para o fluir da narrativa em geral, então espere demorar um pouco para se adaptar a este estilo.

Mas, quando você se adaptar, será recompensando com uma EXCELENTE história. Apesar do info-dumping exagerado, muitas das cenas de luta, especialmente as climáticas, são realmente de arrepiar os pelos do corpo e causam uma genuína sensação de excitação, não sendo possível parar de ler antes que elas terminem. Tudo isso é devido a seu universo (muito interessante, consistente e estruturado) e, principalmente, seus personagens. É impressionante notar como, salvo algumas poucas exceções, até mesmo o mais secundário dos personagens possui uma personalidade marcante e bem formulada, para não falar dos principais. Shirou, a primeira vista, pode parecer um protagonista heroico batido que sempre arrisca o próprio pescoço para salvar outras vidas, mas o enredo mais tarde utiliza e desconstrói esse estereótipo de uma maneira no mínimo inusitada e bem diferente do que se encontra por aí.

Este mesmo fenômeno acontece com muitos dos personagens, e é difícil terminar de ler a história sem sentir uma simpatia considerável com a grande maioria deles. Como destaque, temos o cínico padre Kirei Kotomine e o misterioso servo Archer, que são ambos dois poços sem fundo de profundidade no que se diz respeito a caracterização e desenvolvimento.

FSN foi o primeiro trabalho profissional da Type-Moon (ela já havia feito Tsukihime, porém foi um trabalho amador, ou seja, a qualidade técnica no geral era bem precária), e no geral possui um pacote visual muito agradável. Os cenários são bem desenhados e detalhados, assim como os sprites dos personagens, apesar de estes possuírem relativamente poucas expressões e movimentações se comparados a outras VN’s. Os efeitos de tela são bem simples e nada muito fora do padrão (transições de fade entre imagens, tela tremendo, sprites se movem de maneira ainda estática para lá e para cá, etc.), assim como os efeitos sonoros. A trilha sonora não é nada de muito destaque, é funcional o suficiente para atribuir mais emoção a narrativa nos momentos corretos. As únicas duas músicas mais memoráveis são “Ever-Present Feeling” (uma melodia melancólica e atmosférica no piano) e “Emiya” (que geralmente toca nas lutas mais climáticas).

A interface da VN é funcional o suficiente, porém não oferece nenhuma informação adicional (como em Remember11, por exemplo, que mostra qual é o horário do dia em que a história está no momento, que BGM está tocando, o nome da cena, etc.). Oferece um leque decente de configurações básicas, como volume de músicas/efeitos sonoros/dublagem, desativar ou ativar os efeitos de tela especiais, habilitar a função de skip, velocidade em que o texto é exibido na tela, etc. Não sei se isso conta como interface, mas em determinado momento da VN o leitor ganha a opção de acessar um menu com todas as informações sobre os mestres e espíritos heroicos, envolvendo sumários rápidos com detalhes de cada um deles. No caso dos espíritos heroicos, você pode inclusive ler um resumo da lenda daquele personagem em específico.

Para finalizar, vamos comentar sobre como funciona o sistema de rotas de FSN: A princípio, três rotas podem parecer pouco, mas na verdade cada uma é enorme e apenas uma das 3 está disponível desde o início.

Fate: Essa é a primeira rota da VN e precisa ser completada para desbloquear Unlimited Blade Works. Foi esse o cenário adaptado para anime, e se foca na relação entre Shirou e Saber.

Unlimited Blade Works: É a segunda rota e só pode ser acessada depois de completa a Fate. Foca-se principalmente na verdadeira identidade de Archer e um dos vilões principais que recebe mais tempo de desenvolvimento. Precisa ser completada para desbloquear Heaven’s Feel.

Heaven’s Feel: Rota final de FSN que se foca na personagem Sakura Matou e de quebra resolve todos os mistérios e dúvidas sobre a história em geral.

Cada rota se mostra como sendo uma “realidade alternativa”, não sendo estabelecida uma relação clara entre uma e outra exceto que todas têm o mesmo ponto de partida. Apesar de cada uma ter seu próprio começo meio e fim, é altamente recomendável a leitura de todas para entender a história como um todo. Também ressalto que FSN possui algumas poucas cenas de conteúdo erótico explícito, coisa que o próprio autor admitiu não gostar e ter escrito apenas para agradar o público. Essas cenas são no mínimo ridículas (é sério, não tem como não rir da desculpa de o porquê elas são “necessárias”) e totalmente descontextualizadas, quebrando o ritmo da narrativa para depois serem totalmente esquecidas. Portanto, caso você esteja receoso quanto a isso, não se preocupe, não é o foco de maneira alguma, pode usar a função skip sem medo de perder qualquer informação.

Também vale comentar que essa VN tem VÁRIOS bad ends (finais trágicos que acontecem devido a uma escolha errada) que servem como um “game over”. Quando ocorrem, o leitor pode optar por entrar no “Tiger Dojo”, que são pequenos capítulos extras explicando ou dando dicas sutis sobre onde você errou e qual a escolha certa, tudo de maneira cômica e metalinguística.

Fate/Stay Night se mostra como sendo uma ótima Visual Novel e definitivamente merece todo o sucesso que recebeu, tornando-se uma das VN’s de maior sucesso no Japão e se expandindo em uma franquia multimídia, ganhando uma sequência (Fate/Hollow Ataraxia), versões animadas, light novels, games e tudo o que se tem direito.

OBS 1: FSN recebeu uma versão melhorada para Playstation 2 em 2007 com o subtítulo “Realta Nua”, que continha algumas cenas extras e removia completamente todas as de conteúdo erótico. Essa versão foi traduzida para o inglês pelo grupo Mirror Moon, que pegaram as cenas extras de ps2 traduzidas e juntaram tudo em um patch para a versão PC. Ou seja, o patch de tradução para o inglês já adiciona todo o conteúdo extra para a versão PC, mantendo as cenas eróticas.

OBS 2: Fate/Stay Night pode ser encontrado em Inglês (Mirror Moon), Italiano (Gekkou ~Chiaro Di Luna~), Vietnamita (Sonako), Russo (Honyaku-Subs) e Espanhol (Fate Project Translation).

Lucas Funchal
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