Fate/Zero (TV)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Excelente

Informações

Ano 2011
Estúdio Ufotable
Diretor Ei Aoki
País Japão
Episódios 25
Duração 25 min
Gênero Ação, Drama, Fantasia

Para quem não sabe, Type-moon é uma empresa que produz visual novels, algo como um "livro eletrônico" com ilustrações e músicas de fundo, e é responsável por obras de enorme sucesso, como Tsukihime, Kara no Kyoukai e Fate/Stay Night, todas adaptadas para anime. Você, leitor, já deve ter pelo menos ouvido falar desta última. Na época de seu lançamento como visual novel, consolidou-se como um sucesso crítico e comercial estrondoso, algo que obviamente rendeu uma série de TV com 24 episódios, tornando-a ainda mais popular, apesar de críticas para com a adaptação.

Fate/Zero é um prólogo para a franquia "Fate", antecedendo os acontecimentos de Fate/Stay Night, mostrando mais sobre o pai adotivo de Shirou Emiya (protagonista de Stay Night) e a quarta Guerra do Santo Graal, tendo sido baseada em uma light-novel (livro ilustrado) escrita por Gen Urobochi (roteirista de Mahou Shoujo Madoka Magica).

Em um universo onde magos existem e operam nas sombras, existe um grande evento que se chama A Guerra do Santo Graal. Esta guerra consiste na convocação de sete magos que por sua vez invocam o seu "espírito heroico" (espíritos de grandes heróis passados) para lutar ao seu lado. O vencedor da guerra ganha o Santo Graal, um lendário artefato que dizem ter o poder de conceder qualquer desejo, mesmo que um milagre seja necessário para tal. Cada um dos participantes entra na guerra por seus próprios motivos e ambições, assim como seus espíritos heroicos, que também desejam o graal. Estes espíritos possuem sete classificações distintas, sendo elas: Saber, Archer, Lancer, Caster, Berserker, Rider e Assassin.

É na véspera de início da quarta "edição" deste evento que somos apresentados a Kiritsugo Emiya, um mago errante que deseja obter o graal para criar um mundo sem conflitos. Kiritsugo consegue se aliar aos Einzbern (uma nobre e poderosa família de magos), ganhando como artefato de invocação a lendária bainha do Rei Arthur. Depois de realizar o processo perfeitamente, ele se choca ao notar que o espírito invocado é uma jovem chamada Arturia, verdadeira identidade do lendário rei.

Após os outros participantes invocarem seus respectivos espíritos, começa a quarta Guerra do Santo Graal, onde alianças, traições, intrigas e muitas mortes deverão ser realizadas para a obtenção de um dispositivo onipotente de desejos.

Essa é a interessantíssima premissa de Fate/Zero, um anime absolutamente incrível e cerebral, que serve como um ótimo prólogo para os fãs e até mesmo uma "porta de entrada" para aqueles que não conhecem a série Fate ou a Type-moon no geral.

Apesar de o protagonista ser Kiritsugo, a série explora todos os outros sete participantes e seus espíritos, cada um com personalidade e motivação próprias, criando um ambiente em que ideais diferentes estão constantemente se enfrentando, o que é justamente a marca registrada da franquia. Apesar da abundância de lutas, a história claramente se foca mais na "humanidade" da coisa, nos questionamentos e desilusões por parte dos personagens e as consequências de seus atos. É só notar a quantidade enorme de diálogos que mais parecem um estudo de suas psiques (especialmente nos casos de Kiritsugo e Kirei Kotomine) do que conversas de fato. Isso pode parecer algo monótono, mas, por incrível que pareça, a complexidade e carisma dos personagens torna toda a experiência algo constantemente interessante e convincente, colaborando muito para a imersão do espectador no enredo.

Como não podia deixar de ser, o estúdio ufotable nos entrega um pacote visual de cair o queixo e que lembra muito os longa-metragens de Kara no Kyoukai. Ao longo de todos os 25 episódios, a qualidade de animação é simplesmente linda, desde o design de personagens até as lutas extremamente bem trabalhadas e fluídas. Pode se preparar para voltar o vídeo várias vezes, pois muito provavelmente haverá várias sequências (não só de ação) que você vai querer rever. O único tropeço é na utilização nem sempre bem aplicada de efeitos em CG, especialmente para monstros ou fenômenos em larga escala, que parecem grandes modelos em 3D não muito bem aliados à animação.

Uma trilha sonora composta por Yuki Kajiura (.hack//SIGN, Mahou Shoujo Madoka Magica) é sempre bem vinda, e o seu padrão de qualidade continua excelente em Fate/Zero. Desde as ótimas aberturas e encerramentos (estas tendo sido produzidas por outros artistas) até as sempre presentes e atmosféricas músicas de fundo orquestradas e com um amplo uso de coros gregorianos místicos, Fate/Zero nunca deixa a peteca cair. Muitos momentos do anime devem grande parte de sua carga emocional à Yuki Kajiura.

Como um pequeno comentário negativo, apenas saliento o fato de que alguns personagens (a maioria destes secundários) não foram tão bem explorados quanto talvez poderiam ter sido. É claro que essa "falha" é mínima, mas o contraste entre estes e todo o resto do elenco, cujos personagens e relações entre eles são muito bem analisadas e mostradas, deixa esse problema um pouco mais visível.

Concluindo, Fate/Zero é um ótimo anime recomendadíssimo tanto para os fãs da franquia quanto aqueles que nunca viram/leram nada sobre. É claro que, assim como praticamente todo o prólogo, alguns detalhes e nuances são apenas entendíveis para aqueles que já conhecem Fate/Stay Night, mas não é nada que vá atrapalhar o aproveitamento de um "novato" na série.

OBS: Para aqueles que pretendem começar a franquia por aqui, vale a pena avisar que alguns "spoilers" de Fate/Stay Night já são explicitados desde o início.

OBS 2: Para aqueles que só assistiram o anime, já vou avisando que a adaptação não foi lá essas coisas e só cobria uma das três rotas presentes na visual novel, justamente a mais "sossegada". Fate/Zero segue a linha mais "dark" e sangrenta das outras duas.

Lucas Funchal
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