I/O (Visual Novel)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Bom

Informações

Títulos Input/Output
Ano 2008
Estúdio Asgard, Regista
País Japão
Episódios 10 rotas
Duração Aprox. 50h
Gênero Cyberpunk, Drama, Sci-Fi
Palavras-chave I/O, Input/Output

Trailer

Depois de “Remember11”, a produtora de visual novels KID foi a falência por uma série de motivos até hoje não esclarecidos totalmente. Sendo assim, a série Infinity infelizmente acabou em seu terceiro título. Seus dois principais escritores, Kotaro Uchikoshi e Takumi Nakazawa seguiram caminhos diferentes: Uchikoshi foi contratado pela Chunsoft e escreveu a série “Zero Escape”, muito aclamada no ocidente mas não tão bem sucedida no Japão. Já Nakazawa fundou sua própria companhia, chamada Regista, e continuou com seus próprios projetos.

O primeiro deles foi “I/O” (também conhecido pelo título “Input/Output”), que contou com a colaboração de Tanaka Romeo (“Cross Channel”, “Rewrite”) no planejamento do enredo, em 2006. Dois anos mais tarde, a versão melhorada chamada com o subtítulo “Revision II” foi lançada para PC, e esta versão que foi impecávelmente traduzida para o inglês pelo grupo “Lemnisca Translations”, o mesmo de Never7. Esta é a versão usada para esta resenha.

Enfim, dado todo este “contexto histórico” vamos ao que interessa, a começar pela sinopse (diretamente traduzida da oficial): 26 de Abril de 2032, 00:12 da madrugada. Um total eclipse lunar ocorre pela primeira vez em três anos. Deveria ser apenas um fenômeno astronômico, mas acaba por causar vários eventos inesperados: mistérios inexplicáveis, ataques terroristas e crimes cibernéticos surgem como se em sintonia. A verdade se mistura com mentiras, como se o mundo estivesse acordado, mas ainda dormindo.

Algo começou, em algum lugar que ninguém pode ver, algo que ninguém sabe nada sobre. Essa é uma história sobre os encontros ao acaso e as trágicas separações entre homens e mulheres vivendo neste mundo. Você pode ler este jogo através de quatro pontos de vista:

Rota A – Hinata, um jovem que perdeu sua irmã e a si mesmo.
Rota B – Ishtar, uma programadora freelancer e líder de um grupo de hackers.
Rota C – Ishtar, mas ela parece ser diferente da Rota B...
Rota D – ELE, um homem cercado de mistérios.

E assim...
“O começo é o fim, e o fim é o começo”.

Resolvi traduzir a sinopse oficial ao invés de bolar uma minha simplesmente pelo fato de que I/O é, sem tirar nem por, uma história extremamente complexa, difícil de se organizar em uma única sinopse coesa sem acabar soltando um spoiler ou dois. Essa complexidade é sua maior arma, mas também sua maior fraqueza, no entanto.

Como dito acima, I/O possui quatro pontos de vista que se intercalam ao longo de seu desenvolvimento, seja da maneira esperada e relativamente manjada de “histórias acontecendo paralelamente” até relações honestamente malucas, mas ao mesmo tempo fascinantes. O nível de pesquisa e planejamento da ficção científica apresentada aqui também é extremamente alto, ou seja, é capaz de enrolar seu cérebro de maneiras inimagináveis, muito mais do que toda a série Infinity já sonhou em fazer.

É uma história extremamente ambiciosa e experimental, com um elenco enorme onde todos os personagens são impressionantemente importantes de uma maneira ou de outra. O universo e organização da sociedade são extremamente detalhados ao ponto de quase tudo ser perfeitamente crível e possível de acontecer até o ano de 2032. Várias e várias cenas de pura confusão mental e as constantes crises de identidade dos personagens são, no geral, muito bem trabalhadas e curiosas. É uma história extremamente inteligente e cerebral, no entanto é justamente nessa ambição onde começam os problemas principais de I/O: sua complexidade muitas vezes é desnecessária.

Vários pontos da VN são extremamente nebulosos durante quase toda a narrativa não tanto por serem difíceis de entender, mas sim por que frequentemente a informação necessária para compreender várias partes da história é simplesmente dada de maneira muito dúbia, estranha, implícita e desnecessariamente prolixa. Isso quando, durante suas quase 50 horas de leitura, as revelações ou informações claras simplesmente demoram muito a vir. Só o chamado “Defrag System”, que é essencialmente um mural representando as partes da história que você já viu ou que estão bloqueadas, é a princípio uma imagem que não faz sentido nenhum, e muito provavelmente vai demorar um pouco para você entender por que lógica ela opera.

Isso sem falar na maneira bizarra de desbloquear finais e rotas. Cada uma das quatro rotas iniciais possui dois finais, chamados pela VN de 0.1 e 1.0. A princípio, todos os finais 1.0 estão bloqueados e você só pode ver os 0.1, mas para desbloquear o final 1.0 para determinada rota, é necessário obter o 0.1 de outra. Já está um pouco confuso? Depois de conseguir todos os quatro finais 1.0, você desbloqueia a quinta rota (Rota E), que depois de lida desbloqueia mais quatro rotas, as chamadas Prime Routes, que depois de lidas desbloqueiam, por fim, a última rota definitiva. Que os deuses tenham piedade se você quiser completar 100% da VN, com bad ends que só podem ser obtidos por condições muito específicas que dependem de outro final em outra rota e assim por diante.

Vale acrescentar também que, apesar de extremamente complexa, não é uma história cheia de reviravoltas inesperadas: grande parte das revelações é relativamente previsível, e algumas das reviravoltas são possíveis de se adivinhar muito antes de aparecerem.

Além disso, o elenco de personagens, apesar de bom e competente, não é necessariamente memorável. Tudo é muito bem organizado e cada personagem possui seu devido lugar e função na trama, alguns são interessantes e possuem problemas e dilemas muito criativos, no entanto não chegam muito mais longe que isso. É o suficiente para se importar com tudo o que está acontecendo, mas nenhum deles é particularmente original, complexo ou cativante. Sendo que esse aspecto, creio eu, é algo muito discutível e fonte de polarização.

Falando em polarização, a própria estrutura da história é um “ame ou odeie”. Há quem ache que foi uma boa ideia que melhora o ritmo da história, no entanto ao meu ver a divisão entre as primeiras rotas e as chamadas “Prime Routes” não foi muito bem feita. O grande clímax da história, a conclusão para o objetivo principal dos personagens que culmina em todos os temas da VN ocorre mais ou menos no segundo terço da história, durante a Rota E. Mesmo tendo tudo se resolvido, muitas pontas soltas da trama ainda permanecem, e estes são resolvidos nas Prime Routes, no entanto isso acontece efetivamente APÓS a história ter praticamente acabado, o que te deixa com uma sensação estranha quanto ao ritimo do enredo.

O visual da VN é outro fator que causa muitas opiniões divergentes. No que toca ao design da interface, está tudo ótimo e lindo, mas o design de personagens é certamente estranho no começo. No entanto, é um estranho que ao longo do tempo vai se tornando não só palatável, como único e muito bonito, algo que sem dúvida combina com o estilo singular de I/O no geral. Fora uma ou duas, as CGs de eventos são muito bem trabalhadas, os sprites dos personagens possuem uma boa variedade de posições e expressões e vários efeitos de tela ajudam muito na imersão, especialmente no que toca as cenas de ação. Existem alguns vídeos de animação pontuais durante a história, o que é sempre muito bem vindo também.

A trilha sonora é mediana, composta principalmente de sons eletrônicos para representar todo o conceito futurista e cyberpunk da VN, mas nada muito ousado ou particularmente marcante fora uma ou duas faixas. As músicas de abertura (“Fragment”, Aki Misawa), insert (To The Moon, Ayane) e encerramento (“Lead Out”, Chiaki Takahashi) são ótimas, no entanto.

Quanto a interface em si, tem um design muito bonito e consistente, além de conter todas as opções de controle de volume e velocidade da mensagem esperadas de uma VN moderna. Existem também vários pequenos extras, como uma timeline desbloqueada ao final da história, ilustrações promocionais, um vasto sistema de TIPs similar ao de Remember11 (aqui chamado de “Keywords”), lista de finais e porcentagem completa de cenas, etc.

No final das contas, o que exatamente é I/O? Como ele deveria ser classificado e para quem é recomendado? No fundo, são perguntas um tanto difíceis de se responder. É basicamente uma história de ficção científica cyberpunk extremamente interessante, curiosa e inteligente, mas ao mesmo muito confusa, desnecessariamente complexa e com escolhas muito ousadas de estrutura, desde seu esquema de rotas até o Defrag System. Se você é fã de histórias que se encaixem mais ou menos nesse perfil, definitivamente vale uma conferida, mesmo com a chance de não gostar muito da obra como um todo. É uma visual novel muito polarizadora, sem dúvida, mas por si só possui ideias muito mais originais e pautadas científicamente do que grande parte do oferecido por aí. Além de um valor semi-ótico fascinantemente e ótima construção de seu universo. I/O sem dúvida tem MUITA coisa boa a oferecer. Só definitivamente não é para todos. Nem de longe.

OBS: I/O está disponível em inglês (Lemnisca Translations)

Lucas Funchal
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