Escrever sobre animes populares é difícil: todos querem uma resenha que respeite a animação e que traga os aspectos positivos e negativos. Vale lembrar que o mangá não possui divisórias, sendo apenas “Naruto”. Todavia, pra animação se diferenciar da série anterior, a solução foi dar um título a mais, havendo uma diferença entre as fases: a primeira série é chamada de “Naruto” clássico, que muitos conhecem, e a segunda passou a ser “Naruto Shippuuden”. A respeito deste nome, a tradução dada em português seria “Naruto: Crônicas do Furacão”, mostrando a continuação da empreitada do personagem pra se tornar Hokage. Nesta nova fase, todos os personagens estão mais velhos – não os personagens adultos mas, sim, os mais novos –, agora adolescentes. Tudo começa com o retorno do protagonista pra Konoha, após passar dois anos e meio treinando ao lado de Jiraya – um dos três ninjas lendários ou "sennins", como são conhecidos –. O que chama a atenção quando assistimos é que o tempo passado trouxe amadurecimento às personalidades dos personagens e novas formas de luta. Falar mais a respeito pode estragar as surpresas que a história traz... As mudanças se tornam um dos fatores que se destacam na animação. Afinal, deixar os personagens mais velhos dá uma sensação que eles também crescem e passam a ter uma nova visão de vida. Observando atentamente as ações deles, temos uma noção de como ficarão as coisas após os desdobramentos da série anterior. Novos personagens surgem na trama: destaque para os membros da Akatsuki, que deixaram o anonimato e as sombras pra cumprirem sua missão, e aos ninjas que aparecem durante a história. Outra questão a ressaltar é a falta de comédia, já que a trama ganha toques mais dramáticos e o passado acaba sendo lembrado, mostrando as razões de tudo ter chegado naquele ponto em diante. Por isso que, no quesito gênero, o termo comédia não foi escrito: perderam-se os alívios cômicos comuns da série anterior. A qualidade da animação varia, o que não é bom: se por um lado as sagas adaptadas do mangá têm uma qualidade de animação de ponta, quando chegam os "fillers", a animação decai demais e dá a impressão de que tudo foi feito às pressas. No "design" dos personagens, podemos perceber que o tratamento acabou sendo mais bem trabalhado em uns e muito genérico em outros, perdendo a originalidade. Nas lutas, temos uma carga dramática maior. No entanto, a quantidade de batalhas diminuiu drasticamente, mostrando no máximo duas a três lutas de destaque. Pode parecer bom, mas analisando bem, acabou trazendo somente lutas dos personagens mais destacados, com os secundários deixados de lado.

Um aviso: se gosta muito do anime ou do mangá, ignore os parágrafos seguintes e vá direto ao final da resenha... mas se quiser continuar... A primeira grande falha está relacionada ao enredo do anime: por mais que “Shippuuden” traga uma maior dramaticidade, há um enfoque maior no passado do que no presente. O que significa que há uma enrolação para que os fatos atuais tenham origem no passado e os motivos de haver os desdobramentos existentes. E isto vem tanto do mangá quanto do anime: por isto a quantidade absurda de novos personagens, que não têm um pingo de carisma. Também relacionada ao enredo, temos os personagens já existentes na trama: a maioria foi deixada bem de lado, o que faz com que este ou aquele ninja ficasse apenas a ver navios. Uma das personagens que deveria ter tido um destaque maior é a Sakura: ela melhorou suas habilidades e passou a ter uma personalidade menos perdedora e dependente dos outros. Mas passou o primeiro arco da história, foi pro escanteio. Não só ela, mas também os que consideramos como personagens favoritos que víamos na série anterior. A segunda falha não é exatamente uma falha: quem acompanha animes deve conhecer bem os episódios duplos. São especiais de uma hora de duração, que trazem uma história fechada ou o clímax da saga a ser iniciada ou encerrada. Bem, o motivo de isto ser uma crítica é que o uso foi exagerado, e olha que não foi um ou dois episódios por temporada: se contar estes episódios em separado, a série teria mais episódios do que a quantidade oficial. E de onde veio isso? Do horário de exibição no Japão. Tem semanas em que o anime não é exibido, e pra aproveitar a falta, usam estes episódios. Seria bom, se não enrolassem demais pra chegar ao ponto central da trama. A terceira e última crítica é a mais comum entre todos os que acompanham o anime: os "fillers". Os episódios mais criticados e odiados por muitos espectadores, que preferem que sigam a trama original. É óbvio que esta é a razão de muitos pararem de assistir ao anime e esperar o retorno da versão adaptada do mangá. Explicando: quando a trama chega perto do original, o estúdio produz uma temporada que nada tem a acrescentar, os famosos "fillers". Acontece que os "fillers" utilizados não são histórias paralelas e, sim, histórias que o mangá não esclareceu direito. Ou seja, por mais que tenha sido uma boa ideia, o resultado não é o esperado, e temos a impressão que fizeram pra dar raiva a quem assiste, tornando-os desnecessários. Até que o primeiro filler é "passável", mas os seguintes... Uma pena! Na área musical, temos aberturas e encerramentos que causam impacto, ou algo mais ameno. Das aberturas, as melhores são as três primeiras aberturas - "Hero Come Back" (1ª temporada), que trata do retorno dos personagens; "Distance" (2ª temporada), que trata da amizade; e "Blue Bird" (3ª temporada), uma das aberturas mais lindas que fizeram para o anime - as demais aberturas variam entre boas e mais ou menos - Já nos encerramentos, temos uma alternância de músicas ora boas ou de gosto duvidoso e esquisito, e bota esquisito nisso! Realmente, poderiam ter investido melhor...

Saindo das críticas, será que vale a pena ver? Claro que sim! Afinal, é a continuação da série anterior, tem boas lutas e esclarecimentos que nos mostram as ações e atitudes dos personagens, além de trazer os personagens da Akatsuki em todo o seu esplendor e suas habilidades de combate. Claro que poderia ter sido mais bem desenvolvido, poderia ter empolgado, mas nem todas as continuações de animes conseguem tal feito. Infelizmente, o tratamento que a versão animada teve é o fator que acarreta as críticas acima: o anime tem seus momentos mas a forma usada para passar a história não é das melhores...

Escritora Otaku
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