Never7 - The end of infinity - (Visual Novel)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Razoável

Informações

Ano 2000
Estúdio KID
Diretor
País Japão
Episódios 6 rotas
Duração Aprox. 30h
Gênero Comédia, Drama, Romance, Sci-Fi

A primeira novel da série Infinity a ver a luz do dia no ocidente foi a sua segunda obra (Ever17 - The out of infinity -), que foi lançada oficialmente pela já falida Hirameki translations. E17 ajudou muito na difusão do estilo, mesmo que ainda para um público muito seleto, o que certamente inspirou a fantranslation do terceiro capítulo da franquia, Remember11 - The age of infinity -. Só faltava a VN que deu origem a tudo, que foi um sucesso geral de crítica no Japão e teve os primórdios no console Dreamcast antes de ser adaptado para PC. Foi aí que entrou o grupo de tradução Lemnisca translations, que finalmente nos proporcionou uma versão em inglês de Never7 - The end of infinity - no ano passado.

Ironicamente, o início de tudo é justamente a última VN que todos os fãs ocidentais da série tiveram a oportunidade de ler. Talvez isso contribua muito para a crítica aqui exposta, pois comecei a ler N7 com a mentalidade de quem já leu E17 e R11, ou seja, esperando no mínimo uma história de mistério aliada a conceitos científicos interessante e cerebral, apesar de toda a arte do material sugerir que é apenas um dating sim como qualquer outro.

Bem, vamos ao enredo: Makoto Ishihara é um estudante universitário prestes a jubilar seu curso por sempre cabular as aulas e ir mal nas provas. Como punição, ele é obrigado a comparecer em um seminário extracurricular com outros colegas de classe em uma pequena ilha turística do Japão. No entanto, logo na primeira noite de viagem, Makoto tem um sonho macabro em que pode ver uma menina (mesmo não se lembrando do rosto dela) morrendo enquanto deixa um estranho sino cair de sua mão. Para piorar tudo, ele também parece instintivamente saber o que vai acontecer em algumas das situações que envolvem o seminário. Teria Makoto o dom da premonição? Isso quer dizer que alguém vai morrer cedo ou tarde? O que esse sino significa?

Como pode ver, o tom um pouco mais sombrio e de mistério da franquia está aqui, o único problema é que é um elemento secundário da história. Imagino que o que ajudou a diferir N7 de seus dating sims contemporâneos foi justamente esse pano de fundo um pouco mais pesado, mas no final das contas todo esse mistério acaba não sendo muito importante no conjunto como um todo.

Como de costume, o grupo de personagens de N7 é composto quase que completamente por mulheres, com exceção de Makoto e um de seus colegas de classe rico e chavequeiro, Okuhiko Iida. Também como de praxe, esse segundo personagem homem não tem quase nenhuma importância na história (digo quase, pois ele ainda é medianamente relevante nas rotas de Haruka e Izumi), dando mais ênfase nas personalidades das mulheres. É uma pena que estas sejam extremamente arquetípicas.

Temos aqui um total de seis rotas, uma para cada garota: Yuka, Haruka, Saki, Kurumi e Izumi (essa última tem duas rotas, ambas trancadas no início da VN). O resto é algo bem dentro do padrão esperado: uma viagem em uma ilha turística significa que o protagonista terá várias oportunidades de conhecer melhor cada uma das personagens, as escolhas interativas geralmente envolvem alguma espécie de cortejo ao seu “alvo” desejado, Makoto acaba conhecendo e entendendo melhor a personalidade e angústias pessoais daquela garota e uma paixão floresce entre o casal. O único diferencial é que na metade de todas as rotas a garota em questão... Morre.

Sim, isso mesmo. Devido a circunstâncias exclusivas de cada rota, a personagem principal da vez morre no sétimo dia de viagem, deixando um sino escapar de sua mão e concretizando a premonição de Makoto, que sempre volta no tempo para o primeiro dia, onde utiliza de seu conhecimento da timeline anterior para tentar mudar o futuro. Relaxem, isso não é nenhum grande spoiler, todas as rotas seguem este mesmo padrão.

Para ser justo, N7 pode ser medianamente divertido. Os personagens não são nem de longe complexos ou originais, mas suas relações e desenvolvimento são interessantes e dinâmicos o suficiente para manter a história andando. Alguns pequenos mistérios com revelações decentes também são jogados aqui e ali pelas rotas e mantém a vontade de continuar lendo minimamente ativa, gerando até alguns momentos dramáticos, mas nada muito fora do comum.

Você, leitor, pode estar se perguntando “mas e esse negócio de o Makoto voltar no tempo? Isso é um mistério com uma boa revelação?”... Bem, mais ou menos. A história fica provocando o leitor com o porquê de este fenômeno ocorrer durante toda a história, mas apenas duas rotas oferecem algum tipo de insight mais detalhado sobre isso: Yuka e Izumi Curé. O grande problema é que ambas se contradizem.

Veja bem, o enredo propositalmente deixa duas respostas, duas possibilidades no ar. Uma delas é insatisfatória e a outra, apesar de muito mais interessante, é deveras forçada e mal explorada. Esta última pertence à rota “Izumi Curé”, que só pode ser acessada depois de completas as das outras garotas. Por ser uma rota desbloqueável, eu esperava que houvesse uma enorme reviravolta científica e emocionante como em E17, no entanto não foi nada tão emaranhado e teve uma finalização que é francamente chata. Não irritantemente aberta como R11, mas simplesmente tediosa.

Depois de completa Izumi Curé, uma última rota intitulada apenas como “Izumi” se abre. Pensei que finalmente um último ato que amarrasse todas as pontas soltas havia aparecido, mas não passou de uma história extra e de tom cômico-romântico...

No que toca ao visual, N7 segue o padrão de sua época, e este padrão não resistiu ao teste do tempo. As CGs são bem desenhadas e acabadas, mas os sprites dos personagens são um desastre. Seleção de expressões e movimentações corporais extremamente limitadas, detalhes mal coloridos e acabados, inconstância no traço das expressões de um momento a outro, quase nenhum efeito de tela durante toda a história e por aí vai. Pode ser injusto criticar tanto neste quesito uma obra tão velha, mas infelizmente tais detalhes não ajudam em muita coisa na imersão do já não tão bom enredo.

A trilha sonora é extremamente simples, porém funcional. A única música que se destaca é “Once More”, que aparentemente iniciou a tradição de Takeshi Abo (compositor da série) em produzir belas melodias de piano para a franquia Infinity.

Dizer que a interface de Never7 é minimalista chega a ser quase um elogio. O menu principal já é bem meia boca, assim como os da galeria de imagens, das porcentagens de progresso na história e dos slots de saves, mas não existe um para as configurações gerais. Você tem de apertar o botão direito do mouse para que apareça um pequeno menu padrão do Windows onde você pode usufruir de um leque de opções extremamente básico e limitado. Por exemplo, você não gosta de ler VN’s com dublagem? Eu tive que mandar um e-mail para o grupo de tradução, que me disse poder resolver o problema pela gambiarra que é apagar um arquivo do folder de instalação. Volume de músicas/efeitos sonoros? Nop, nenhuma opção de customização. Mas dá pra pular textos já lidos, pular diretamente para a próxima escolha interativa e escolher em qual fonte você deseja ler a história pelo menos.

No final das contas, só posso dizer que Never7 - The end of infinity - foi uma grande decepção para mim. Para não dizerem que não estou sendo objetivo, não chega a ser uma visual novel realmente ruim, apenas sem sal. É possível entender como ela se destacou na época em que foi lançada e possui sim algumas boas ideias aqui e ali, mas infelizmente não passa de uma leve historinha de amor com alguns poucos elementos mais sombrios/tensos/cerebrais. Se você tiver lido as outras duas obras da franquia e quiser ver como tudo começou, chega a valer a pena uma conferida, mas tenha em mente que a série Infinity evoluiu MUITO de lá para cá, e Never7 mostra de forma nítida como os primórdios deste processo estabeleceu de maneira rasa alguns dos conceitos que fizeram de E17 e R11 histórias tão incríveis.

OBS: O grupo Lemnisca translations teve a bondade de acrescentar alguns detalhes interessantes em seu patch de tradução. Primeiramente, proporcionaram uma pasta que contém vários arquivos HTML que te levam aos documentos de explicação do AppendStory (basicamente, era um recurso que permitia que os fãs criassem sua própria rota no jogo para postar no site oficial de N7 na internet). Nesta mesma pasta, um HTML te leva para o sistema de Tips (igual ao de Remember11), que foi uma função integrada apenas no remake de N7 para PSP.

O mais importante, no entanto, está no fato de que também disponibilizaram a timeline da série Infinity traduzida em HTML. Originalmente, esta timeline era um extra desbloqueável caso o seu PSP detectasse três saves completos de cada remake da trilogia. É um bônus muito interessante e que contém algumas informações que não foram tão bem tratadas durante as novels em si, ESPECIALMENTE no caso de R11. Diria que é quase imperativo ler essa timeline caso queira entender a história deste por inteiro.

OBS 2: Never7 - The end of infinity - pode ser encontrado em Inglês (Lemnisca Translations) e Chinês (T-Time e Key FC).

Lucas Funchal
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