No. 6 (TV)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Razoável

Informações

Ano 2011
Estúdio Bones, Aniplex, Fuji TV, Sentai Filmworks
Diretor Nagasaki, Kenji
País Japão
Episódios 11
Duração 23 min
Gênero Ação, Histórico, Sci-Fi

Trailer

"Originária dos conflitos inacabados e das ruínas, a cidade sagrada de No. 6 foi feita baseada em benevolência e coexistência."

Esse é o lema dos governantes da utópica cidade de No. 6, onde definitivamente não há lugar para os problemas comuns que muitas cidades enfrentam, como pobreza ou violência. A cidade se encontra envolta por paredes que a isolam do resto do mundo, um imenso terreno baldio para o qual a cidade fecha os olhos. Todos os habitantes podem desfrutar de todas as maravilhas de No. 6, desde que não duvidem do lema citado acima.

No. 6 é um anime ao longo do qual a estória desenvolve-se com um novo objetivo a cada episódio, de forma que uma simples sinopse é capaz de revelar muitos segredos do enredo. Por isso, baseei minha review no que já é revelado nas sinopses dos diversos sites de animes conhecidos e na análise técnica da obra, para que os leitores visualizem os arremates do anime antes mesmo de assistí-lo, sem receber spoilers.

A estória desenvolve-se no ano de 2013 com uma tecnologia bastante avançada até mesmo para japoneses, como pulseiras para identificação, efetuação de chamadas e contato governamental com cada um dos cidadãos. Shion, habitante da cidade, é um garoto de 12 anos que desfruta da melhor educação que se pode oferecer na cidade, um privilégio disponível apenas àqueles de mais alto QI da elite. Em seu aniversário de 12 anos, Shion se depara com um garoto ferido e fugitivo de uma “Unidade Correcional”, para onde aqueles que contrariam a paz da cidade são enviados. Shion decide ajudá-lo, pondo em prática seus conhecimentos de primeiros socorros, tornando-se consequentemente um cúmplice do fugitivo, chamado Nezumi. Quando o governo descobre sua traição para com a cidade, Shion perde o direito ao curso especial oferecido ao topo da elite e é banido para o menos privilegiado distrito da cidade, Lost Town. Quatro anos depois, a misteriosa morte de um dos habitantes levanta a suspeita de que No. 6 possui um segredo que Shion decide desvendar.

A sinopse é capaz de despertar curiosidade nos fãs de sci-fi, ação e mistério, e mostra que o anime tem potencial para ser tão memorável quanto outros animes da Aniplex recém-lançados, como Ao no Exorcist e Ano Hi Mita Hana no Namae wo Bokutachi wa Mada Shiranai (Ano Hana), tendo este último sido fruto da parceria com a Fuji TV, assim como No. 6. Os três primeiros episódios são os responsáveis por apresentar a política da cidade e o dia-a-dia dos habitantes, assim como o espírito de “patriotismo” que todos os cidadãos têm consciência que devem demonstrar.

Os episódios de 4 a 7 revelam o que há para desvendar, ou seja, quais são os mistérios por trás da vida aparentemente perfeita de No. 6, além de desenvolver o convívio entre os diversos personagens. O que há por trás dos muros que circundam a cidade? Qual o real motivo da misteriosa morte ocorrida recentemente? Porém, durante este período poucas perguntas são respondidas e muitas novas dúvidas surgem. Após o sétimo episódio, o enredo parece ter sido parcialmente perdido, de modo que o anime passa a focar no relacionamento entre os personagens, deixando seu objetivo inicial displicentemente em segundo plano. Neste momento o espectador passa a se perguntar se os 11 episódios serão suficientes para desenvolver toda a trama planejada para o anime.

Por fim, os episódios 10 e 11 são bastante movimentados, dando a impressão de que toda a trama será resolvida nos últimos momentos. Entretanto, muitas perguntas, que não serão citadas aqui para evitar spoilers, ficam em aberto, fazendo com que o anime, que tinha uma ótima premissa, tenha sido bastante mal desenvolvido. Quanto aos personagens, os protagonistas parecem tomar toda a trama, de forma que alguns dos coadjuvantes parecem desnecessários ou simplesmente são ofuscados pelas personalidades dos protagonistas, que são bem mais fortes que as dos demais. Shion possui uma personalidade gentil e prestativa. Por um lado é bastante inteligente, mas por vezes se mostra bastante inocente, quando se trata da vida não retratada de forma “científica” em seus livros. Em contrapartida, Nezumi é arrogante e pode não ter um alto QI e direito aos privilégios da elite educacional, porém sabe agir com desenvoltura diante dos problemas com os quais se depara no dia-a-dia. Safu, amiga de infância de Shion, que também participava do grupo de alto QI de No. 6, é uma importante personagem do anime, porém teve sua presença muito mal explanada, de forma que também contribuiu para a grande quantidade de dúvidas após o último episódio.

A trilha sonora é bastante adequada e apresenta belos temas de abertura e encerramento. O traço lembra bastante o de “Ano Hana” e as cores utilizadas costumam enquadrar-se aos ambientes. A cidade de No. 6, por exemplo, apresenta uma grande variedade de cores em uma combinação que agrada aos olhos; já do lado de fora da cidade as cores são mais escuras e sombrias, refletindo o contraste entre os dois cenários principais.

No. 6 deixou a desejar pelo mal desenvolvimento do roteiro exibido na sinopse. Em contrapartida, apresenta um excelente desenvolvimento no relacionamento dos personagens principais, fazendo com que ele não seja totalmente um tempo perdido. A balança entre defeitos e qualidades fica então praticamente equilibrada em termos de proporção, deixando o anime com aquela sensação de trabalho não terminado. Então, além das perguntas deixadas em aberto na estória, abro mais uma. O que levou um anime com boa sinopse e que envolveu produtores responsáveis por grandes animes como Fullmetal Alchemist (Bones) e aqueles citados anteriormente, a produzir um anime tão mal feito como No. 6? Infelizmente não sei como responder a esta pergunta, porém acredito que o aumento no número de episódios seria uma solução bem simples para fazer de No. 6 um dos melhores da temporada.

Helloise Mota
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