O dragão chinês (Filme)

1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 Bom

Informações

Títulos Tang shan da xiong
The big boss
Ano 1971
Estúdio USA Filmes
Diretor Wei Lo
País Japão
Duração 94 min
Gênero Ação, Artes Marciais
Palavras-chave bruce lee, kung fu

Foi aqui que tudo começou! O mundo nunca tinha visto um filme de ação como este, e a indústria do cinema, que vinha sofrendo uma grande queda, acordou para um gênero de filme até então ignorado por Hollywood. Bruce Lee mostrava para o mundo o que era o Kung Fu e fez história, mudando os rumos da sétima arte.

Neste filme, Bruce Lee é Cheng, um jovem chinês que vai morar com familiares longe de casa - mais especificamente na Tailândia - carregando a promessa que fez à sua mãe de não brigar. Lá, ele acaba indo trabalhar em uma fábrica de gelo, sem saber que é um negócio que serve de fachada para o tráfico de drogas. Após vários trabalhadores serem mortos ao descobrirem a verdade, Cheng quebra sua promessa e busca vingança, enfrentando o patrão e seus capangas.

Esse foi o primeiro filme estrelado por Bruce Lee como protagonista que, depois de quebrar a cara várias vezes em Hollywood, recebeu uma proposta de uma produtora de Hong Kong, e acabou aceitando. Mas a proposta não foi por acaso, pois Bruce já era conhecido por vencer vários campeonatos de artes marciais e por divulgar o Kung Fu nos Estados Unidos, onde vivia há algum tempo.

Uma das coisas bem interessantes deste filme, é que Bruce fez questão de mexer no roteiro e trazer para o (até então) fraco cinema chinês, elementos que ele absorveu de Hollywood, atuando juntamente ao diretor, principalmente nas cenas de luta, procurando infatizar seu estilo. Além disso, ele inseriu elementos na trama que têm relacionamento com sua própria história, por exemplo, no filme, o protagonista carrega um amuleto que representa a promessa que fez à sua mãe de não brigar, o mesmo aconteceu com Bruce quando ele foi morar nos EUA. Ademais, ele inseriu elementos de drama num filme de ação, algo muito incomum para a época.

É interessante notar que os atores presentes no filme são os mesmos da maioria dos filmes de Bruce, pois ele trabalhou com a mesma equipe por vários filmes, ainda em Hong Kong. Outra curiosidade, é que a mocinha do filme, que faz o personagem de Chow Mei, já era velha conhecida de Bruce, e já atuava no cinema chinês havia algum tempo, e também está presente em vários de seus filmes.

Talvez por este ter sido o primeiro dos filmes que mostraram Bruce Lee para o mundo, as cenas de luta ainda não são muito boas, e mostram muito pouco dos movimentos do Kung Fu em si, porém, eram muito superiores ao que existia no cinema até então, e foi o primeiro passo para que o gênero se destacasse e virasse a febre que virou. Nos filmes seguintes de Bruce já é possível ver claramente a evolução das lutas.

Nesse filme específico tem uma cena que chega até a ser engraçada, em que Bruce enfrenta vários cachorros, que são claramente jogados por cima dele, na intensão de parecer que pularam nele. Nem mesmo a luta final contra o chefão chega a ser muito empolgante, ainda que seja uma luta boa, mesmo ele lutando de mãos limpas contra um especialista em facas, como ele aparenta ser. Mas o final surpreende.

Ah sim... o final... Bruce não apenas criou um novo estilo de Kung Fu, e um novo gênero de filme, ele ainda conseguiu ser polêmico com um final que mexeu muito com a opinião do público. Pois é, não quero dar spoilers, mas ao assistir você vai entender do que se trata. Assista e imagine o que o público de um filme de ação, no início da década de 70, saiu do cinema pensando...

Uma grata surpresa que tive durante o filme, foi a trilha sonora, que por diversas vezes utiliza de músicas do Pink Floyd, e que se encaixam muito bem com as cenas de tensão do filme.

No mais, é um filme que vale muito a pena ser visto pela sua importância, assim como todos os outros filmes de Bruce Lee. Acho que ele se tornou ainda mais interessante depois de conhecer a história do próprio Bruce, que vi na série televisiva Bruce Lee: A lenda, pois só assim pude entender todas as referências citadas.

Jaime Neto
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